COMITÊ ASSET ALLOCATION 21/03/2019

COMITÊ ASSET ALLOCATION 21/03/2019

Disclaimer: Este relatório tem como intenção gerar ideias e discutir sobre estratégias de alocação,
sendo seu público, única e exclusivamente clientes da consultoria, não devendo ser encarado como um
relatório de análise em larga escala ou como recomendação de aplicação para clientes de uma
maneira geral, principalmente sem a prévia análise de seu perfil de risco (Suitability).

Em 21/03/2019 ocorreu nossa reunião de nosso comitê de reavaliação e de preparação de estratégias para alocação de ativos para os próximos períodos. No curto prazo, nesse dia a bolsa se encerrou aos 97.000 pontos, o dólar a R$ 3,85 e a meta da taxa Selic continuava no patamar de 6,5% a.a.

Até o final de 2019, espera‐se, contudo, que a bolsa ultrapasse a barreira dos 100.000 pontos, com uma taxa de câmbio (R$/US$) próxima de 3,70. Um destaque é que, a partir de dados de 2018 – taxa Selic (Meta) de 6,5% a.a. e a inflação (IPCA) em 3,75%, tivemos um juro real de 2,70% a.a., pode haver uma ligeira queda dos juros reais para 2,50% a.a., em virtude de uma possível aceleração da inflação.

Cenário econômico brasileiro.
Nos meses recentes no Brasil a conjuntura político‐econômica é incerta, o que dificulta um prognóstico mais claro sobre temas de fundamental importância, por exemplo, como o da Reforma da Previdência, agravada por um noticiário que traz assuntos como o da prisão do ex-presidente Michel Temer.

Com relação à taxa de juro, houve a reunião do COPOM em 20/03, mantendo a meta da taxa básica de juro em 6,5% a.a. O destaque foi sinalização para os próximos períodos, o que causou divergência de opiniões entre analistas e economistas se teremos alta na taxa básica de juro ainda em 2019. Em nossa opinião, existe algum espaço para uma leve queda em reuniões futuras, devido ao ritmo lento e gradual da economia brasileira. O mais provável é que haja estabilidade da SELIC em 6,5% por todo o ano de 2019 com chances de aumento no início de 2020, a depender de algumas variáveis, como previdência, contas públicas e inflação. De forma mais prática, o gráfico abaixo nos mostra a constante queda das taxas de DI para vencimentos futuros, nos deixando cada mais otimistas para posições em renda fixa compradas em taxas pré‐fixadas muito próximas ao pico de tal taxa. Dando continuidade aos últimos relatórios, continuando, de forma gradual, a realizar lucro nessas posições, aproveitando de tal movimento de queda, e trocando para posições atreladas a inflação (IPCA+) ou até mesmo CDI pós fixado, ficando com liquidez para aproveitar um possível cenário futuro de stress.

Brasil: evolução dos Juros DI

Em relação a inflação no Brasil, vemos fevereiro como o terceiro mês de alta do IPCA, podendo tal movimento ainda continuar, muito baseado em um câmbio ainda elevado, porém equilibrado pelo alto índice de desemprego.

Brasil: evolução do IPCA

Para novas posições, percebemos um desempenho de títulos atrelados à inflação (IPCA+) maior do que títulos vinculados unicamente a uma taxa pré‐fixada, “pré‐pura”, por isso a preferência por ativos de renda fixa atrelados à inflação para o longo prazo. Para um prazo estritamente curto (até 2019) ainda enxergamos algum prêmio nas taxas pré‐fixadas, ainda que com um baixo potencial de ganho, mas existente.

Cenário Econômico Internacional

Após o forte stress do mercado internacional com receio de uma possível recessão americana e mundial, a percepção é que houve relativo exagero de analistas de mercado. Contudo, a economia dos EUA deve se desacelerar de 2,50% em 2019 para 1,50% em 2022. Apesar disso, a economia norte‐americana se mantém crescendo na mesma média dos países avançados, se
apoiando em indicadores de empregos satisfatórios, setor imobiliário ainda aquecido (um dos principais setores a alerta uma crise), e empresas reportando ganhos interessantes.

No caso do Brasil, o país se mantém com crescimento mais lento, se comparado aos países emergentes. Na média anual entre 2019‐22, o Brasil deve crescer 2,45% a.a., enquanto que o México deve crescer 2,78% a.a. e a média dos emergentes será de 4,75%, o que denota o potencial de expansão da economia brasileira a ser explorado.

Mundo. Crescimento do PIB (Var. Real %, a.a.)

De forma alinhada, vemos um FED não subindo juros e perspectiva de apenas uma alta leve somente no final do ano, dessa maneira animando a economia americana e mostrando que o cenário não é recesso, mas de uma atividade em crescimento menos expressivo do que o passado recente. No último relatório, reiteramos e aumentamos a exposição no S&P500 através da I‐share IVVB11, o que nos resulta em ganhos atuais, porém com potencial de maior valorização, nos atentando para realizar um lucro parcial na posição e aguardar para maiores altas nos próximos períodos. A atenção fica em pontos importantes para o S&P500, indicando uma venda próximo aos 2,900 pontos e compra próximo aos 2,600 pontos.

O mesmo otimismo não se repete quando falamos sobre a Europa, tendo uma alocação underweight (redução de exposição no setor), fundamentado pelo baixo crescimento esperado em torno de 1% a.a.

O olhar para emergentes já é positivo, com um sinal mais claro de estabilidade no mundo, investidores se sentem mais confortáveis a tomarem um risco maior com essa classe de ativos. O fluxo para emergentes pode vir da alocação de 1% do MSCI World em Brasil (índice utilizado como base para investimentos no mundo), tendo o nosso país um cenário muito mais calmo, com câmbio controlado e reformas encaminhadas (mesmo com a turbulência da recente prisão do ex‐presidente Michel Temer). Também é importante ressaltar a China, que dentro dessa categoria “emergentes” possui a maior ponderação no índice, mostrando um crescimento próximo a 6% e um comportamento mais ativo em seus refinanciamentos.

Bolsa

“O que levou a bolsa a 100.000 pontos não foi fundamento, e sim uma euforia de mercado”.

A conclusão do nosso analista de renda variável é que se formos ajustar a bolsa pela inflação ou pelo dólar (baseado que o maior fluxo de nossa bolsa é de estrangeiros), ainda teríamos as seguintes marcas:

Como o Ibovespa é uma média, as ações dos setores elétrico, construção civil, telecomunicações, alimentos, e bancos tiveram uma performance muito superior do que outros setores, ficando menos atrativos para uma atual compra. Já ações do setor de construção civil, serviços médicos, máquinas e equipamentos, viagem e lazer, e mineração foram mais conservadores, com valorização mais tímida, indicando uma atual alocação mais conservadora após a forte alta do Ibovespa (não comprar caro).

Um dos termômetros para indicar a compra de uma ação, é acompanhar o volume de contratos a termo em aberto na bolsa (termo é um derivativo usado para se alavancar na compra de ações). Percebemos que além da forte valorização, o volume de investidores “termados” nas ações de Petrobrás, ou seja, apostando em sua alta é bem expressivo, nos chamando atenção para uma possível sugestão de compra. Porém chamamos atenção ao volume total de termo em aberto no Ibovespa como um todo, indicando uma redução da alavancagem, podendo enfraquecer a tendência de alta puxada nas últimas semanas.

Quando traçamos um estudo estatístico para o Ibovespa, o comparando com suas próprias médias, enxergamos um patamar muito próximo ao 2º desvio padrão, podendo haver dificuldades para se superar a barreira dos 102 mil pontos e a tendência de correção para sua média dos últimos 6 meses aos 91 mil pontos.

Junto ao Ibovespa, acompanhamos o fluxo de investidor estrangeiro na bolsa, indicando uma retomada, ainda que muito tímida, mas o saldo ao longo do ano ainda negativo. Isso nos leva a conclusão que o investidor estrangeiro ainda não entrou de fato na bolsa e talvez apenas ocorra tal fluxo com uma confirmação efetiva da reforma da previdência.

Análise Gráfica

Além da análise fundamentalista, temos como novidade a cobertura de nosso analista gráfico em ações, contribuindo ainda mais para nossas alocações. Baseado nesse tipo de análise, vamos um ponto forte de compra nos 94.000 pontos, sinalizando uma possível reversão e uma oportunidade em aproveitar a possível alta futura da bolsa.

Em conjunto com a análise feita acima, também indicamos uma compra em Petrobras, muito pelo fundamento, fluxo, o seu próprio estudo gráfico, mas também por um sinal de alta no gráfico do petróleo Brent, variável fundamental para a receita da empresa. Recentemente percebemos o cruzamento da média de 20 períodos com a média de 200 períodos confirmando tal estudo.

Chamamos atenção e nos preocupamos com o setor financeiro, que possui um forte peso no Ibovespa e pode “puxar para baixo” o índice.

De forma fundamentada, a manutenção de uma taxa básica de juro em patamares baixos atrapalha a receita de instituições financeiro com os chamados spreads bancários, porém a preocupação é com o gráfico do setor, indicando uma consolidação podendo resultar em futuras quedas.

Gráfico das ações de Itau na bolsa

Fundos Imobiliários

Ainda enxergamos a posição em fundos imobiliários com uma das mais importantes para investidores que necessitam de renda, além disso tal estratégia está resultando em um excelente ganho de capital em 2018 e 2019.

No último relatório, recomendamos a troca de exposições do fundo imobiliário da gestora independente do Itau, a Kinea por um ativo com maior potencial de pagamento de aluguéis. A troca era pelo fundo imobiliário KNIP11 pelo fundo KNHY11.

Fomos muito felizes ao recomendar tal troca, dado que o fundo Kinea High Yield (KNHY11) agora possui uma maior alocação e seu caixa (atuais 77,8% no último relatório divulgado) pagando uma remuneração média de aproximadamente 0,6% ao mês líquido de imposto de renda, ou seja, uma remuneração de aproximadamente 130% do CDI.

O resultado de tal desempenho é dado pela alocação eficiente do fundo em ativos imobiliários, com uma média de remuneração de IPCA + 9,00% conforme imagem abaixo:

Fundos de Investimentos

A indústria de fundos de investimentos é uma das maiores do país, consequentemente sendo uma das nossas maiores alocações. Nossa equipe analisou a performance dos fundos de investimentos dos últimos 12 meses e o resultado foi extremamente positivo para fundos de ações e negativo para fundos multimercados.

O resultado positivo para os fundos de ações pode ser explicado pela forte alta da bolsa brasileira nos últimos períodos, fazendo com que esses fundos que são obrigados por legislação a manter 2/3 (dois terços) da exposição em ações. Já os fundos Multimercado tiveram um desempenho ruim principalmente pela alocação na curva de juros americana, que recuou fortemente no final do ano com o receito de uma desaceleração e uma possível recessão da economia americana, fazendo com que posições alavancadas desses fundos surtissem um efeito negativo em suas rentabilidades.

Acreditamos que o potencial de alta na bolsa esteja menor, logo de forma gradual, estamos recomendando a realização dos lucros nos fundos de ações e uma alocação nos fundos da categoria multimercado, tanto pela pulverização de seus investimentos e pela não exigência em ficar comprado com 67% do patrimônio diretamente em ações.

Abaixo separamos e analisamos alguns fundos relevantes no mercado com o intuito de identificar riscos e oportunidades:

  • Verde AM Scena Advisory FIC FIM: Performance positiva atribuída a estratégia globais, posição em ações, crédito, compra em Libra esterlina. Sua exposição em juros reais e pré se manteve constante no mês de fevereiro, assim com a alocação em renda variável e internacional.
  • Bahia AM Maraú FIC de FIM: Em fevereiro, rendimento de 0,63% com ganhos em renda fixa e bolsa. Na renda fixa, os principais ganhos vieram de posições no mercado de inflação no Brasil, seguidos por contribuições positivas de juros internacionais e locais e de crédito. Já na posição em
  • bolsa, os principais ganhos vieram de posições compradas nos setores de petróleo e
  • mineração e posições vendidas em Saúde e Seguros. Chamamos atenção para o
  • destaque da volatilidade nos juros americanos e para a alta na bolsa chinesa. A posição
  • no Brasil teve performance ligeiramente pior que os demais emergentes e atribuímos
  • essa pequena underperformance aos ruídos políticos e ao posicionamento já otimista
  • do mercado. Vemos uma posição do fundo em juros no México e nos Estados Unidos e
  • uma posição brasileira comprada em real contra dólar e peso mexicano, compra de
  • bolsa, e aplicações em juros nominais.
  • Kinea Chronos Multimercado FIM:
  • Gostamos da exposição ao fundo, muito devido a sua baixa volatilidade se comparado
  • com outros fundos do mesmo setor. Contenção de gastos públicos, corte de subsídios
  • de crédito e taxa de desemprego elevada devem permitir taxas de juros reais abaixo
  • das precificadas pelo mercado. Fundo com posições atuais em moedas europeias,
  • Libra, Euro, Coroa Sueca e diminuição da posição comprada em real. Em juros o fundo
  • possui posições táticas em juros, seguindo com NTN‐B dado nível assimétrico das
  • inflações implícitas.
  • ARX Denali FIRF CP: Fundo de renda fixa que investe em crédito privado. Esse produto tem se tornado uma das principais escolhas dentro da estratégia Renda Fixa, além da boa rentabilidade apresentada, também possui uma liquidez em até um dia, sendo um bom instrumento
  • de caixa. Ficamos confortáveis com a diversificação do risco dentro do fundo, com uma
  • grande concentração no setor de bancos e título soberanos (títulos públicos), além da
  • boa classificação de crédito (rating) dos títulos que o compõem.

Embora seja uma gestora nova, a bagagem do time que a compõe e o nível de rentabilidade versus o risco nos faz aumentar a exposição nessa modalidade de investimento.

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