Afinal, o que é tesouro direto?

Afinal, o que é tesouro direto?

Muitas pessoas se perguntam aonde devem investir seus recursos e acabam se deparando com uma imensa variedade de produtos. Definitivamente o Tesouro Direto se tornou algo mais conhecido de uns tempos para cá, devido ao alto investimento em propaganda e muitos mais “usuários” utilizando a plataforma.

Mas afinal, Tesouro Direto é um bom investimento?

Para isso teremos que deixar claro o que são os títulos públicos. Um Título público é uma divida que o governo federal emite lhe prometendo pagar tal remuneração em uma data futura. Logo o investidor empresta dinheiro ao governo, onde o mesmo lhe emite um Título Público, sendo esse a comprovação da dívida e sua forma de remuneração. O tesouro direto é apenas a plataforma por onde é possível investir nesses títulos, sendo uma compra feita diretamente no governo.

Toda vez que é feita uma compra através do tesouro direto, a mesma é caracterizada como mercado primário, ou seja, o investidor enviando diretamente dinheiro ao governo federal. Mas é interessante sabermos que existe o mercado secundário, ou seja, onde o investidor consegue comprar títulos públicos de outro investidor, sem necessariamente enviar dinheiro diretamente ao governo.

Mas o que muda entre comprar pelo tesouro direto ou no mercado secundário através do meu banco ou corretora?

Praticamente nenhuma alteração, o título, ou a dívida, é a mesma, não mudando em nada o risco de crédito ou o investidor não receber sua remuneração. As maiores diferenças estarão em:

• Spread – Quando se compra um título no mercado secundário, através de bancos ou corretoras, quem está negociando geralmente coloca uma diferença no preço para obter alguma receita com a operação. Se for o vendedor, vai querer vender um pouco mais caro do que o preço justo, caso seja o comprador, vai querer comprar um pouco mais barato do que o preço justo.

• Taxas – No tesouro direto existe a taxa de custódia que é obrigatória da CBLC sendo de 0,3% ao ano cobrado semestralmente, já no mercado secundário, algumas corretoras geralmente isentam tal taxa.

• Interessante se observar se taxa de rentabilidade oferecida no mercado secundário é superior a do primaria subtraindo o custo de 0,3% ao ano. Se sim, compensa aplicar pelo secundário.

Não há uma resposta correta entre escolher um ou outro. O grande ponto é fazer a conta de o quanto estão lhe “spredando”, ou seja, o quão mais caro estão lhe vendendo um título, e se essa diferença/spread é maior do que a taxa de custódia via tesouro direto. Geralmente no caso de um spread saudável, tende a ser mais vantajoso investir no mercado secundário como dito acima, mas é importante analisar sempre.

Como é feita a remuneração dos títulos públicos?

De forma resumida, existem 2 tipos de remuneração, os pós fixados e os pré-fixados. Os pós fixados(LFTs ou Tesouro SELIC), como o nome já diz, rendem uma taxa pós, geralmente 100% da SELIC por exemplo, logo quanto maior for a SELIC, maior seu lucro, e vice-versa. Já os pré-fixados (LTN ou Tesouro Pré) possuem uma taxa estipulada logo de início, 10% a.a. por exemplo. Existem também as indexadas a inflação (NTN ou Tesouro IPCA) que remuneram a inflação no período mais uma taxa pré-fixada, IPCA +5% ao ano por exemplo. Ou seja, a sua remuneração será de quanto for o IPCA (medida de inflação) no período mais 5% fixa.

A grande dúvida é saber qual escolher. Isso dependerá muito de sua percepção sobre o cenário econômico. Se um investidor acredita que a taxa de juro irá subir, pode comprar um título pós fixado, do contrário, poderá comprar um título pré-fixado, garantindo uma taxa fixa, enquanto a taxa no mercado está pior.

Os títulos públicos valem realmente a pena?

O que algumas pessoas defendem é que investir em títulos públicos é o melhor investimento dentro do perfil de risco que ele oferece. Temos outro artigo explicando com mais detalhes os riscos dos títulos públicos, basicamente risco de mercado e risco de crédito. Nele falamos que um título público é a aplicação com menor risco de crédito no país. A conclusão que chegamos é que existem algumas aplicações com riscos muito baixos que podem chegar muito próximas ao risco de um título público, como grandes bancos, empresas de transmissão de energia, grandes petroleiras, concessionárias de transporte e rodovias, etc. Será que essas empresas podem virar a falência e não honrar suas dívidas? Talvez a resposta seja não, caso a empresa tenha uma saúde financeira muito tranquila e ainda com o aval de uma agencia de risco/crédito sem nenhum vínculo e com alta reputação.

Outra diferença é a questão tributária. Os títulos públicos possuem sua rentabilidade bruta de imposto de renda, enquanto diversas aplicações privadas (Debêntures / CRIs/ CRAs, entre outras) possuem isenção de imposto de renda, fazendo com que a remuneração liquida seja muito mais atrativa.

Em nossa opinião, investir em títulos públicos não é a melhor opção possível. Tanto pela remuneração menor, quanto pela cobrança de imposto de renda. Logicamente existem títulos privados que possuem riscos altos e não devemos compará-los com os títulos públicos. Mas o ponto é, será que uma empresa como Vale, Ultrapar, Petrobras, Transmissoras de Energias e grandes bancos podem quebrar? Será que se quebrarem não podem arruinar todo o sistema, podendo afetar o risco país? Se sua conclusão for não e ainda somar a isenção tributária, irá perceber que existe uma remuneração adicional investindo nesses papéis e com uma relação risco x retorno mais interessante, fazendo sentido migrar seus investimentos de títulos públicos.

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